Como deve ser o melhor imóvel para se morar? Seguro e confortável? Bonito e agradável? Aconchegante e simples? Sofisticado e bem-estruturado? Pode parecer difícil responder a tantas perguntas de forma a alcançar perfeita harmonia entre tais fatores, e todos os demais que possam surgir. A melhor resposta está nos bancos da escola, ou melhor, da faculdade. No caso da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), além das disciplinas, o conhecimento sobre a melhor solução para um imóvel já pode ser adquirido na disposição dos seus cômodos e nas suas paredes. Em outras palavras, ali é para pensar e enxergar a partir do imóvel, projetado no início do século XX, pelo arquiteto sueco Carlos Ekman.

Casarão construído em 1902

Considerado com um dos últimos legados do estilo art nouveau da capital paulista, o prédio da FAU foi construído em 1902 para abrigar as famílias Conde Antonio Alvares Penteado e Antônio Prado Junior, tornando-se a Vila Penteado. Na data de seu lançamento já mostrou seu valor como exemplo artístico, técnico e construtivo da cidade. Os traços de edificação dos seus 60 cômodos em linha reta combinavam com estuques em relevos e elementos de serralheria de desenho floral.

O projeto passou por um rigor e detalhes demonstrados desde os caixilhos de madeira, maçanetas, sistema de isolamento acústico dos assoalhos, até os baixos-relevos de gesso dourado, mosaicos interiores, combinações de cores das pinturas artísticas existentes por todo o prédio.

 Com essas peculiaridades e por seu valor para arquitetura, a Vila Penteado tornou-se FAU-USP, em 1948, por Luiz Ignácio de Anhaia Melo. Com formação em urbanismo pelo curso de Engenheiro-Arquiteto da Escola Politécnica da USP, o que Anhaia vislumbrava – a integração dos diversos conteúdos técnicos de forma a ampliar a visão e a percepção sobre a elaboração de um ambiente – combinava com a riqueza que a construção do prédio proporciona.

Além da sua importância como documento histórico, a faculdade se tornou conhecida como “espaço intelectual de convergência das artes, das humanas e das técnicas” na década de 60. Essa abrangente diversidade também se nota pela lista de nomes famosos que passaram pela instituição. Francisco Buarque de Hollanda é um exemplo. Sim, o músico, compositor, cantor e escritor Chico Buarque. O cineasta Fernando Meirelles, que dirigiu Cidade de Deus, também estudou na FAU-USP. Assim como o cartunista Paulo Caruso. Se essa relação surpreende, mais ainda a de profissionais que fizeram carreira dando vida ao conhecimento adquirido na faculdade, como Francine Sakata, Gilberto Belleza, Nadia Somekh, Paulo von Poser, Ruth Verde Zein, Sérgio Ferro e Wilson Ribeiro dos Santos Junior, entre tantos outros.

Há tempos a faculdade está envolvida com as discussões de uma arquitetura sustentável, visando a edificações que favoreçam a economia de água e energia. Pode-se dizer que a ousadia da FAU-USP existe desde a projeção do próprio imóvel onde está situado.

Fonte portal VivaReal.

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Marília Veiga é designer de interiores  há mais de 30 anos. Possui um amplo portfólio projetos realizados no Brasil e exterior. Siga o que acontece no mundo da decoração e arquitetura no blog da Marília Veiga.

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